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sábado, 20 de novembro de 2010

Comunicação Empresarial


Vestir a camisa de uma empresa

Os profissionais de comunicação social, jornalistas, estão cada vez mais vestindo a camisa e se preocupam com tudo dentro das empresas

O jornalista era visto somente como um profissional que apura, edita e apresenta as informações de forma simples para que todo aquele público seja atingido de maneira FÁCIL E OBJETIVA. Mas esse profissional não pode ser apenas um divulgador, mas uma pessoa que se articula com a necessidade de uma interpretação da linguagem abordada e de conseguir colocar sistemas que possam garantir a compreensão de todos.
Essa ligação ao jornalista que se pressupõe a veicular somente a imprensa escrita ou aos meios de comunicação audiovisuais, está perdendo espaço. O ramo de relações públicas vem ganhando cada vez mais adeptos e profissionais gabaritados que se garantem em um mercado de trabalho.
O jornalista e professor Gino Carneiro, participa essa semana da nossa entrevista e fala sobre o papel do jornalista na comunicação interna das empresas. Ele têm MBA executivo em Marketing na Fundação Getúlio Vargas, já trabalho em diversas empresas e hoje tem uma agência de comunicação.



Como é a realidade dentro de uma empresa com a comunicação interna?
Isso varia de empresa para empresa. Deveria ser receptiva e, ao mesmo tempo, inovadora. Abrir canais de diálogo com todos os públicos é essencial para oxigenar as organizações com boa informação.

O papel do jornalista pode ser sintetizado no termo "assessor de imprensa”?
Esse termo é reducionista. Um profissional de jornalismo pode (e deve) oferecer muito mais opções de atuação dentro de uma organização. Além de "assessor de imprensa", enxergo o jornalista como assessor de comunicação, de marketing, especialista e relacionamento, propaganda, relações públicas, enfim, em todas as atividades que envolvem interação e informação. Jornalista que vai atuar em grandes organizações pensando em ser somente "assessor de imprensa", como diria Raul Seixas, só vai usar 5% de sua cabeça animal, ops, profissional.

O papel prioritário é administrar o fluxo de informação para os veículos de comunicação?
Não. Vai muito além. É de se esperar de um jornalista uma análise mais ampla e aprofundada da gestão da comunicação de uma empresa com os seus públicos. Hoje, administrar o fluxo de informação para os veículos de comunicação até mesmo uma secretária (com todo o respeito à classe) faz com habilidade e competência. Conheço muitas.

Ao jornalista é atribuída a responsabilidade por todos os produtos de divulgação de caráter jornalístico da organização?
Não. Essa é uma das muitas funções dele em uma empresa. Cada colaborador da organização, do presidente ao faxineiro, todos são portadores de informações jornalísticas que ajudam a formar a imagem perante os públicos. O jornalista é um dos instrumentos dessa comunicação (e talvez o responsável por normalizar essa atividade).

Para o jornalista, o foco do relações-públicas está no relacionamento pessoal?
Sim, mas as relações públicas devem ir muito além desse entendimento. Relações públicas têm a ver com imagem, percepção, marketing de relacionamento, planejamento estratégico de comunicação, publicidade e propaganda. Calcar as relações públicas no relacionamento pessoal como pilar principal é voltar 30 anos atrás nessa profissão.

Fica caracterizada nas respostas a necessidade de o jornalista assessor de imprensa manter uma preocupação constante e até assumir a responsabilidade pela "imagem da empresa”?
Óbvio. Mas como disse acima, um excelente trabalho jornalístico de um profissional da área pode ir por água abaixo em uma entrevista catastrófica do seu presidente. A imagem da empresa é responsabilidade de todos os seus colaboradores. O profissional de comunicação é quem deve elaborar estratégias para capitalizar melhor uma imagem positiva perante a opinião pública.

Verifica-se que é quase unânime a idéia de que o contato com a mídia e seus representantes é competência exclusiva dos jornalistas?
Essa idéia é ultrapassada e retrógada. O jornalista é um instrumento ou elo entre a organização e a mídia, mas ele não é o único. Se todos remarem para o norte e o jornalista para o sul, adivinha para onde a organização vai.

Contraditoriamente em relação à sua percepção de responsabilidade pela imagem da organização e pela necessidade de "vestir a camisa", o jornalista acredita possuir certa neutralidade e imparcialidade perante todos os públicos, em especial a mídia?
Jornalista joga com a informação. A partir do momento que ele representa uma empresa, fica difícil entender os termos neutralidade e imparcialidade dentro deste contexto. Também não entendi bem essa questão.
É facultado ao jornalista o dever de "defender" a imagem da organização quando ela é exposta de forma negativa na mídia ou quando fatos considerados errôneos são publicados?
Claro. Mas utilizando de meios éticos, transparentes e respeitando os preceitos básicos da comunicação e da informação.

A primeira e principal conclusão é que o jornalista, de modo geral, não tem clareza sobre o papel do relações-públicas em uma organização?
Não tem mesmo. Até mesmo entre os profissionais de relações públicas há opiniões divergentes sobre a atividade. Há uma corrente que defende ser as relações públicas uma atividade de administração. Outros, de comunicação. Para mim, tem a ver com as duas.

O principal papel identificado como sendo específico do relações-públicas é o de "criador" da "imagem institucional", sendo praticamente esta a única função que lhe é atribuída?
Um profissional de relações públicas também deve ser versátil, afinal, ele é um profissional de comunicação. "Única função" é argumento de funcionário público que ganha horrores e fica esperando o ponteiro do relógio marcar 18 horas para bater o ponto e ir pra casa assistir novela. Profissional competente, competitivo, que vislumbra crescer na carreira por seus méritos e não por seus qüinqüênios, é multifacetado e encara desafios diversos dentro do seu universo de atuação.

Instrumentos como house organs são identificados como exclusivos dos jornalistas?
O house organ é um canal de comunicação interno e qualquer profissional da área pode capitanear um projeto dessa natureza. O que o jornalista deve acreditar (e investir) é que ele é portador das melhores e mais eficientes soluções quando uma demanda é criada.
A principal atribuição do relações-públicas seria a organização de eventos não-jornalísticos, destinados à promoção da organização e do seu bom conceito.
Outra definição "anos 70" para a atividade. As relações públicas é uma habilitação do curso de comunicação social. Portanto, antes de ser umas relações públicas, o profissional é especialista em comunicação. Isso vale para publicitários, jornalistas, radialistas e outros que as faculdades formam aos borbotões por aí.

Outro papel identificado como sendo do relações-públicas é o de servir de "elo", de "canal" de comunicação entre a organização e seus públicos, para promovê-la e fortalecer a sua imagem?
Relações Públicas faz isso, jornalista faz aquilo, publicitário aquilo lá... Essas são definições que ficaram pra trás. São anacrônicas. Um jornalista tem o dever de fazer bem as atividades originalmente inerentes à sua profissão. Mas isso não o impede de atuar também nos universos das relações públicas e da publicidade. E isso vale para os profissionais dessas áreas também. Por isso o jornalista deve se preparar para um mercado competitivo, onde as competências e habilidades múltiplas são cada vez mais valorizadas. O mercado está aí para provar que os especialistas têm muito menos chances do que os multiespecialistas. Investir em uma formação sólida, mas diversificada - acredito -, é o melhor caminho para quem quer se der bem.
Caricatura do jornalista Gino Carneiro feita pelo Léo Morbeck.

Um comentário:

Anônimo disse...

O entrevistado está insinuando que o jornalista tem competência técnica para exercer funções de um relações-públicas? Este profissional é o responsável por administrar a comunicação de uma empresa, a fim de potencializar sua imagem, valorizando-a. Vale ressaltar que em uma empresa nada é "jornalístico", pois se trata de uma EMPRESA, por isso, se chama Comunicação EMPRESARIAL / ORGANIZACIONAL. Acho extremamente injusto o jornalista achar que pode exercer funções de um relações-públicas, pois isto não é verdade. Jornalista não tem a competência técnica de um RP por que são profissões distintas. Para acabar com essa palhaçada, sou a favor de um criar um curso de Comunicação Social - sem que haja qualquer tipo de habilitação, aumentar a duração de 4 para 6 anos e habilitar o profissional para atuar em todas as áreas de comunicação - jornalismo, relações públicas, publicidade, editoração e radio e TV, assim acaba esta injustiça.